quinta-feira, 12 de março de 2009

Preso ao meio...

Olá a todos!

Queria poder oferecer estas linhas ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver, mas por ainda responder juridicamente ao mundo dos vivos, tentarei não soltar farpas a torto e a direito, mas há de se saber que a vida é uma enorme loteria; os prêmios são poucos, os malogrados inúmeros, e com os suspiros de uma geração é que se amassam as esperanças de outra.
Devo confessar que nos últimos tempos não tenho conseguido precisar nos textos que tenho publicado por aqui o que é literatura e o que são lástimas. Verdade que entres os dois há todos os ingredientes necessários para um drama, que não necessariamente seria uma tragédia, mas ainda há a esperança de que qualquer atrevimento possa alterar o curso do destino, mas não se engane, o melhor drama está no espectador e não no palco.
Nesta ciranda que ainda assistirá a execução de muitas canções, acredito que muitos outros personagens surgirão e que muitas outras óperas ainda se realizarão, tudo é uma questão de estar no lugar certo do teatro. E há ainda aquelas coisas que só se aprendem tarde; é mister nascer com elas para fazê-las cedo. E melhor é naturalmente cedo que artificialmente tarde.
Machado de Assis já disse que "o homem é um caniço pensante. Não; é uma errata pensante, isso sim. Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes." E acima de tudo isso se encerra a obra sem saber quem estava mentindo desde o começo...

Além do que, Le temps detrói tous...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Outros carnavais...

Olá a todos!

É, devo confessar que toda a agitação inerente a esta data deve ter algum ingrediente afrodisíaco de efeito inverso em mim. Me sinto muito mais apto a escrever nestas ocasiões onde o silêncio impera e qualquer ruído profanaria este templo sagrado. Aliado a isso, uma pitada de solidão melancólica dá o tom certo destas linhas que por um momento me inspiram um lirismo poético que comumente não se sobressai nas linhas que escrevo.
Falando nisso, a alguns dias estive considerando toda essa ausência de tato poético a qual infelizmente não me foi concedido pela Providência. Acredito que conseguiria exprimir de forma mais nobre os fracassos que insisto em publicar nestas linhas, que com a medida correta integraria as páginas de uma verdadeira epopéia que descreveria as aventuras de um herói que teria a missão de vencer a si mesmo.
Com certeza não haveria de faltar gigantes, bruxas, vilões e seres vis de toda a sorte, como também haveriam ínumeros aliados, amores em aventuras que só pelo seu empreendimento, já receberia as suas recompensas e presentes que sem muita dificuldade atingiriam o nível do fantástico. E mesmo que toda essa jornada excepcional não fosse alcançada, ainda restariamos moinhos-de-vento desta odisséia sem fim.
No entanto, todas estas tentativas de unir as pontas da vida num único compêndio não são possíveis, falta o herói, não há tesouro ao fim da jornada e acima de tudo, falta a poesia necessária para engrandecer a história, e mais uma vez perdeu-se o sonho antes do fim, e eu não consegui recompor nem o que foi nem o que fui.

Com certeza estaria sonhando se dissesse que podia dormir...

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Silêncio e distância...

Olá a todos!

Incrível como os dias parecem voar entre as postagens ao mesmo tempo em que tudo parece inalterado e imutável, inerte as batidas do relógio. Logo se faz presente também a sensação de que o pouco tempo que há, torna mais próxima a sensação de estar amarrado a uma bomba-relógio que não vai tardar a mandar tudo que você conhece pelos ares.
Será que alguém já descobriu porquê a medida que o tempo passa as cores vão desbotando, a música silenciando e o amarelado se espalha por tudo que era antes tão brilhante? Bem enquanto não se descobre a resposta científica ao questionamento, só se fica evidente que todo brilho - meteórico ou não - é passageiro e que, só o que é opaco dura para sempre, numa espécie de sintonia total com sentido da vida.
E por mais apocaliptico que isso possa parecer, a maioria das pessoas não se cansam de angariar predicados intelectuais, adornos a mascara que ostentam na face, numa ingênua luta de cabo-de-guerra que fatalmente irão perder. Neste caso cabe perguntar se é mais válido cair aos excessos como forma de ir à forra, e ter-se a mente que viveu tudo que se podia viver ou, simplesmente deixar-se sentar e assistir de camarote a própria vida passando como os grãos de areia que caem de uma ampulheta, até que simplesmente literalmente se acabe o tempo?
Pior que todas as perguntas não respondidas com certeza, só o fato de não estar nas fotografias além do que esmoecer lentamente, escrevendo o testamento da vida e das conquistas que não se teve, legando como herança simplesmente o som do silêncio a herdeiros que provavelmente não se terá, um forma justa de se compensar a injusta existência...

Afinal a vida é o eterno ensaio de uma peça que nunca realizar-se-á...

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Ouça o que alguém diz...

Olá a todos!

É eu sei. Passei quase um semestre sem escrever. Mas nesse tempo eu estive tentando ir de encontro a idéia do título do blog, e fazer a diferença, para mim pelo menos. Bem, se eu não consegui, já é assunto para outras postagens, aliás só venho aqui para falar do que já aconteceu, ou seja o clichê deste espaço.
Os clichês em geral estão em toda a parte, e existe um para cada situação. Quando se escreve algo se imputa um sentido no produto final, uma espécie de mensagem escondida que só olhos muito atentos conseguem perceber ou, pelo menos tentam. Mas às vezes os olhos de quem lê dão uma cor que a princípio não havia na intenção inicial. Isso sem dúvida é totalmente saudável, mesmo que por vezes "tirar conclusões" seja tão algo perigoso quanto uma roleta russa.
Clichê neste caso é culpar o emissor da mensagem quando foi você que interpretou o que foi dito/escrito. O passo seguinte (clichê) é riscá-lo da sua lista e procurar algo que soe bem aos seus ouvidos/olhos, afinal nada mais comum (clichê) que se procure uma sombra que nos caiba. Mas como violar algumas auto-normas é algo que passa longe de ser algo tido como normal, os clichês permanecem e, se elogia o que se gosta e se deprecia o que não gosta.
O que entra em xeque aqui é o que se simula falando/escrevendo possa vir a ser um caminho para um entendimento do que não está claro, afinal palavras soltas podem ser um problema para quem não sabe interpretá-las corretamente. Enfim, juntar palavras é fácil, pontuá-las também, o que não é fácil é escapar dos clichês, e conseguir escrever algo novo ao mesmo tempo em que é tão comum...

Afinal, aquele que fala/escreve que mente, fala a verdade...

terça-feira, 8 de julho de 2008

Atrás das cortinas...

Olá a todos!

Não sei com que nível de uma melancólica nostalgia vim escrever aqui hoje. Acho que uma leitura dos acontecimentos nos últimos anos aliado a esse clima de inverno desta terça-feira fria e inofensiva podem diagnosticar melhor isso. Então vamos seguindo assim, lenços, sem documentos.
Poderia dizer que é curioso se não fosse regra: é sempre no fim que se pensa no começo. Você aguarda uma eternidade para ver a sua vida passar no cinema, ver o mocinho, conhecer o mundo que o mocinho tem que livrar do perigo, a(s) mocinha(s), e mocinho que é mocinho de verdade tem sempre um oráculo, um mestre, alguém que sabe dizer exatamente na hora exata o que o mocinho deve fazer (o que torna ele tão legal quanto o mocinho pois, o mocinho só é mocinho por causa do mestre). Aí o longa acaba. E você passa a pensar o que aconteceu antes do Leão da MGM dar os três rugidos, o que aconteceu depois que os créditos começaram a subir e a tela ficou escura.
Todo esse trocadilho cinematográfico faz sentido quando se começa a considerar o roteiro que você tem nas mãos, como ganhar o Oscar com os recursos que você tem nas mãos? A primeira e óbvia resposta é ter ao seu lado a melhor equipe de pessoas para trabalhar, pessoas com as quais você possa dialogar sem mesmo ter que usar palavras. Pessoas que completem a sua idéia primeira que mesmo sendo vazia e infundada a princípio, possa através da pintura da sua equipe ser mais brilhante e precisa.
Verdade é que toda auto-biografia e meta-lingüagem estão fadadas ao menor e mais inocente possível ufanismo, mas nem por isso deve haver descrédito da história, pois ela acima de tudo é uma contribuição a memória dos dias que virão. Assim, mesmo que os prêmios não venham, quero brindar com doses de nostalgia a confecção desta película, e sem ser tendencioso (ou mesmo o sendo), dizer que esse é um filme maravilhoso...

E é sempre no fim que se pensa no começo...

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Bem que...

Olá a todos!

É isso aí, fim de semestre começo de outro, obrigações em dia (mas ainda não há a sensação de dever cumprido), e por mais incômoda que seja a idéia de que daqui para a frente as coisas só tendem a se tornarem mais complicadas, acredito que com o tempo acaba-se por conviver (não muito bem e contente) com isso da forma mais natural possível. Vim aqui hoje motivado pela leitura de um pequeno texto de um, mesmo que distante, amigo, que versou sobre algo interessante em seu flog Meio-amargo by Davi San Gil. A minha parte aqui foi só associar a idéia dele a outra por se dizer "diferente", e assim escrever sobre duas coisas aparentemente díspares, mas totalmente complementares uma a outra.
Se parar para pensar os princípios de cada um são como seus dentes. Quando nascemos, não temos nenhum – dente, princípio. Os dentes vêm primeiro, mas os princípios não tardam a nascer, e antes da adolescência boa parte deles já caiu por terra – metaforicamente ou não - dando lugar a novos – dentes, princípios. A tendência é conservar a maioria a partir de então, exceto três ou quatro que, ao fim da adolescência, boa parte de nós se vê obrigada a arrancar. São os chamados sisos, ou dentes – e princípios – do juízo.
Os meus princípios assim como meus dentes, merecem uma boa revisão pelo menos uma vez por ano, e a cada revisão eu vejo que tem alguma coisa errada, alguma coisa a ser mexida, consertada, restaurada. Umas boas porradas – metafóricas ou não – também costumam arrancar alguns – dentes, princípios - em definitivo. E, como ostentar uma boca sem dentes costuma provocar uma repulsa social igual à de uma vida sem princípios, é sempre bom, no caso da ausência de ambos, arranjar uma dentadura – metafórica ou não – nem que seja só pra disfarçar durante o dia, e guardar sua banguela de dentes e princípios entre quatro paredes.
Por fim, nunca é bom confiar na ocasional brancura – metafórica ou não - dos dentes e princípios que as pessoas costumam exibir. O lado podre de ambos normalmente se esconde por trás do sorriso.

E assim vai se conseguindo a medíocridade necessária para ser popular...

domingo, 29 de junho de 2008

Mais, menos...

Olá a todos!

Não vou considerar esta como uma postagem extra-oficial, até porque vim pouco por aqui este mês, e quem sabe até amanhã que é o último dia deste mês no mínimo não usual por se dizer, eu venha (quem sabe até menos raivoso), falar de coisas que todo mundo finge que não sabe, mas adoram dizer como foi bom eu ter escrito sobre elas. Sei também, que esta é uma postagem perigosa, afinal nem todo digere muito bem uma crítica pública como essa, aliás já é muito difícil encontrar alguém que ao menos por debaixo dos panos aceite ser criticado em algo.
Durante muito tempo, acreditei que as pessoas (comigo incluso) deviam superar coisas as quais não se gosta - isso no fundo, é só uma maneira de tentar ser aceito por outros - e que tentando passar ao largo das partes sujas do caráter que não reluziam bem no espelho, estaria se contribuindo positivamente para o caminho da virtude. Até aí, essa sucessão de horas e lugares errados ao mesmo tempo as quais todos estão fadados, contribuíram decisivamente para perceber o óbvio: à medida que o tempo passa e só se vê infortúnios, está na hora de perceber que não é tão bom quanto se imaginava.
Verdade que esse é um baque muito grande, e se demora até cair em si e procurar a melhor maneira de não mais impregnar o ar que os outros respiram com a sua presença, afinal esse pelo menos para mim é o principio básico da convivência: se não quer (puder) ajudar, pelo menos não atrapalhe. Mas a pior parte disso tudo é com certeza quando não obstante você já ter todas as suas penas perpétuas para cumprir, conseguirem te tornar ainda mais perverso. E não pense que adianta demonstrar o quanto você sabe que o céu é um lugar para onde você nunca vai ser convidado, porque depois do fundo poço ainda há muita terra para se cavar, e é nessa hora que você deve ponderar a idéia de continuar saindo de casa.
Bem, já escrevi aqui há algum tempo o quanto era mais fácil depreciar, mas é que nesse buraco sem fim, quando se pensa que já viu de tudo é que aparece mais alguma coisa para te lembrar que você está entre a raça humana a passeio. Pior que tudo isso ainda é lembrar que a teoria de Maquiavel não se aplica a você - talvez, pelo simples fato de não ser um príncipe com toda a ambigüidade que aqui possa ser incutida - e toda a velha lição cartesiana de que ninguém acha que precisa de mais bom senso além do que já tem se torna a regra inviolável deste jogo de todos contra todos.

Mas se você é um amaldiçoado, deixe de delongas e aja como um...